Tendências e oportunidades para a agricultura
Dirceu GassenEngenheiro-agrônomo, gerente técnico daCooperativa dos Agricultores de Plantio DiretoE-mail: dirceu@dirceugassen.com
Os brasileiros consideram o território disponível nos cerrados como a principal alternativa de expansão de área para produção de alimentos no mundo. Na realidade existem poucos países onde se pode expandir a área cultivada ou aumentar a produção por hectare.
Os agricultores e lideranças dos países da ex-União Soviética, também sugerem que eles poderão ser o seleiro do mundo. Discurso semelhante ao dos brasileiros.
Junto com as expectativas de viabilidade econômica, competitividade internacional e liderança na produção de alimentos devem ser destacados aspectos de clima, logística e recursos humanos. Nos países da ex-União Soviética, com solos muito férteis e planícies de causar inveja aos agricultores que cultivam os chapadões extensos dos cerrados brasileiros, as limitações estão no inverno rigoroso e na falta de chuvas no verão. Temperaturas médias diárias abaixo de zero grau, durante quatro meses e acima de 10 graus durante seis meses, consideradas favoráveis para o crescimento vegetativo de plantas. Nesse clima, as culturas de inverno (trigo, cevada e canola) são semeadas no outono, passam o inverno na fase inicial de desenvolvimento vegetativo e retomam o crescimento na primavera, completando o ciclo em quase 10 meses.
As culturas de verão (milho, soja, girassol, trigo de primavera, sorgo, milheto e outras) podem ser semeadas a partir de abril com temperaturas mínimas favoráveis. De forma geral conseguem uma cultura anual para produção efetiva.
Temperaturas médias mensais em localidades do Brasil, Ucrânia e Estados Unidos.
O fator limitante mais importante é a falta de água para culturas de verão. Os rios são poucos e muitos deles com água salina, que impede o uso em irrigação contínua.
Precipitações médias mensais em localidades do Brasil, Ucrânia e Estados Unidos.
A diferença entre os países do Leste Europeu e do cinturão de soja e milho dos Estados Unidos está da distribuição de chuvas no verão. Os solos das duas regiões são muito férteis e as temperaturas médias mensais semelhantes.
Na Austrália a limitação de chuvas é maior ainda, e na Argentina, as áreas que poderiam ser cultivadas com culturas anuais praticamente foram ocupadas. Nas regiões tropicais e subtropicais existe a possibilidade de deslocar a produção de gado, ocupando com o cultivo de grãos.
O plantio direto foi adotado no Brasil como principal alternativa para reduzir a erosão do solo e, também, para reduzir custos. Em muitos países o plantio direto está sendo difundido como argumento para reduzir a perda de água por evaporação e para aumentar a absorção de chuvas, viabilizando o cultivo de culturas anuais.
A oportunidade para se posicionar com agricultura competitiva está com o Brasil, pela abundância de água e, principalmente, pela eficiência do agricultor. É o ambiente natural para a produção de proteína vegetal (soja) e animal (bovinos) com chuvas abundantes no verão. Faltam infra-estrutura de transportes, armazenagem e estratégias mais eficientes na comercialização.
Por outro lado, a crise na agricultura, destacada no Brasil, é semelhante à argumentada na Argentina nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Europa e ex-União Soviética. Interessante que em qualquer um dos países citados não se encontram ofertas de terras por inviabilidade econômica. Ao contrário, ocorre a expansão de área por agricultores que estão estruturados, evoluem na eficiência da gestão e acompanham a competitividade na produção de grãos. Pode-se dizer que as dificuldades enfrentadas por muitos agricultores encontram a solução na maior eficiência dos seus parceiros de negócio, que estão ampliando suas atividades, diferenciados por investir em conhecimento e gestão. Colegas argentinos sugerem que a rentabilidade é proporcional à quantidade de conhecimento por hectare.
Artigo publicado: Revista Plantio Direto, edição 100, julho/agosto de 2007. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.