Defendida a primeira Tese de Doutorado da Universidade de Passo Fundo
Direcionado a graduados em agronomia, biologia e áreas afins, o Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGAgro) da Universidade de Passo Fundo oferece Cursos de Mestrado e Doutorado, com linhas de pesquisa nas áreas de concentração em fitopatologia e produção vegetal. Na área de fitopatologia, as linhas de pesquisa abrangem trabalhos sobre epidemiologia e sistemas de previsão de doenças; controle de doenças em plantas e relação patógeno-hospedeiro. E em produção vegetal: ecofisiologia e manejo de plantas; biotecnologia e melhoramento vegetal; propagação de plantas e manejo do solo e da água.
Segundo o professor Pedro Varella Escosteguy, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UPF, o programa iniciou com o mestrado em 1996, tendo como área de concentração a fitopatologia. Em 2000, foi oferecida, como segunda área de concentração, a produção vegetal. Hoje, o curso contabiliza mais de cem dissertações.
No ano de 2004, teve início o Curso de Doutorado em Agronomia, cuja primeira tese foi defendida no último dia 20 de julho. ”Em nível de Mestrado o programa está consolidado e nessa nova etapa que inicia com a defesa da primeira tese, que também a primeira defendida na Universidade a meta é ter um fluxo contínuo de alunos ingressando e concluindo o Doutorado.”
De acordo com Escosteguy, o Programa possui cerca de 80 alunos, entre mestrado e doutorado, além dos alunos especiais. Esses últimos que acompanham disciplinas, de acordo com seu interesse ou necessidade, como forma de atualização ou de conhecer parte do programa. ”É importante destacar que existe a possibilidade de inscrição, como aluno especial, com um custo de matrícula menor. Assim, tem sido comum a freqüência de recém-formados e profissionais experientes, nas disciplinas do PPGAgro, como Nutrição de Plantas, Manejo da Adubação, Manejo Integrado de Pragas, Clínica Vegetal, Ecofisiologia de Culturas de Grãos, Frutíferas, Olerícolas, Ornamentais, Biotecnologia e Melhoramento Vegetal, entre outras. Há uma série de opções que estão disponíveis aos engenheiros-agronômos e profissionais de e áreas afins”, destaca o Professor Escosteguy.
”No PPGAgro aluno pode fazer o doutorado em 3 anos, sendo possível aproveitar 50% dos créditos do mestrado, quando esse é realizado em área afim”. O coordenador do programa esclarece que o aproveitamento de créditos está condicionado a relação com a área de atuação, a adequação ao PPGAgro e também do reconhecimento da CAPES ao curso de mestrado do canditado. ”Os alunos que fazem mestrado aqui na UPF podem aproveitar até 24 créditos dos 48 exigidos e ainda se candidatar a bolsas da Capes e da própria universidade, pois o programa conta hoje com mais de 30 alunos bolsistas”, comenta Escosteguy.
”É importante destacar que as linhas de pesquisa são variadas, mas em grande parte direcionadas a atender as necessidades regionais, não só relacionadas com a produção de grãos, mas a outras culturas, como moranguinho, pastagens, mertilo, ornamentais, além de serem direcionadas a processos tecnológicos, como tecnologia de aplicação de produtos, fisiologia de plantas, biotecnologia, enraizamento, controle de doenças e amenização de impactos ambientais nos sistemas agrícolas. Essas linhas de pesquisa atingem o objetivo de fazer a extensão do conhecimento gerado dentro da Universidade”, finaliza.
Primeiro Doutor da Universidade de Passo Fundo
O aluno Willingthon Pavan defendeu no dia 20 de julho sua tese de Doutorado na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, coroando o sucesso do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade de Passo Fundo. O trabalho, desenvolvido dentro do PPGAgro, teve como título ”Técnicas de Engenharia de Software Aplicadas à Modelagem e Simulação de Doenças de Plantas” e como orientador José Maurício Cunha Fernandes, pesquisador da Embrapa Trigo e professor da FAMV/UPF.
Willingthon Pavan: ”A agronomia possibilita e carece da integração de outras áreas do conhecimento e o meu papel é de integrador. Minha missão é fazer com que a computação se integre à agronomia tornando mais fácil sua utilização no campo, de forma direta pelo produtor, pelo técnico ou pelo pesquisador”.
Segundo Pavan, o objetivo foi aplicar padrões de projeto e modelos de simulação do crescimento e desenvolvimento das culturas, utilizando-se principalmente do padrão MVC (Model-View-Controller), criando um modelo de simulação de doenças de plantas, genérico e parametrizável cuja estrutura projetada pudesse ser aplicada numa ferramenta de auxilio na tomada de decisão para o manejo e controle de doenças.
Willingthon Pavan é graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Passo Fundo, é Mestre na área de liguagens de programação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Após a conclusão do mestrado, em 1999, teve oportunidade de trabalhar com o Pesquisador José Maurício Fernandes, da Embrapa Trigo, no desenvolvimento de projetos utilizando a computação aplicada a pesquisa agrícola. ”Foi nessa época que me senti atraído pelo conhecimento agronômico, pois desejava qualificar o trabalho que realizava. Projetamos simuladores de crescimento e desenvolvimento de culturas, simuladores de doenças, utilizando-se previsão de tempo e previsão climática. É gratificante perceber que alguns projetos que foram desenvolvidos nessa época estão em funcionamento ainda hoje na Embrapa Trigo e Embrapa Uva e Vinho. Foi assim que começamos a fazer a inserção da informática na agronomia”, conta.
De perfil dinâmico, Willingthon desenvolveu e completou o doutorado em 3 anos e cinco meses, conciliando com eficiência as atividades de docência, pois é professor do Curso de Ciência da Computação na Universidade de Passo Fundo, além de exercer atividades de pesquisa nesta instituição. ”Foi uma experiência muito rica. Fazer o doutorado em agronomia estimulou a busca por conhecimento, tive que aprender muita coisa para entender o processo e desenvolver um produto qualificado”, explica.
Segundo Pavan, no início tudo foi novidade, as disciplinas, os professores e os colegas. Foram dois anos de intensa troca de experiências que contribuíram muito para o trabalho. Essa troca foi ampliada durante os seis meses em que Willingthon esteve nos Estado Unidos, na Universidade da Flórida, fazendo parte da aplicação do estudo.
”Na área da computação há inúmeras possibilidades de aplicação na agricultura. A agronomia possibilita e carece da integração de outras áreas do conhecimento e o meu papel é de integrador. Minha missão é fazer com que a computação se integre à agronomia tornando mais fácil sua utilização no campo, de forma direta pelo produtor, pelo técnico ou pelo pesquisador”.
O perfil do agricultor mudou nos últimos anos, principalmente pelo acesso facilitado as informações e inovações tecnológicas e Willingthon percebeu essa nova fase durante o desenvolvimento do trabalho. ”Quando os produtores tomavam conhecimento do projeto, queriam saber quando teriam a ferramenta disponível. Notamos uma expectativa muito grande em relação ao uso. Sempre procurei mostra a praticidade e não destacar pontos mais complexos que pudessem gerar certo preconceito em relação à ferramenta”.
A implantação e validação do trabalho aconteceram numa importante região tritícola do país, nos Campos Gerais do Paraná, abrangendo 38 municípios sob a cobertura e responsabilidade da Fundação ABC, de Castro, PR. Segundo o Pavan, todas as ferramentas desenvolvidas foram validadas por esse grupo de produtores organizados e gerenciados pela Fundação, dentro de uma estrutura que utilizou dados do INPE, do IAPAR e de estações meteorológicas da região concentrando-se no manejo e controle da giberela em trigo. ”Tivemos a média de 180 acessos diários ao sistema possibilitando aos produtores obter informação com antecedência de até 5 dias. A ferramenta foi muito bem aceita e está em funcionamento também nesse ano. Os produtores e técnicos da Fundação ABC tem perfil inovador e fazem uso das novas tecnologias, isso foi um estímulo”.
Motivações
”Quando projetei o doutorado pensei em desenvolver uma técnica destinada ao uso da computação na simulação de doenças de plantas aliadas a modelos de simulação de crescimento e desenvolvimento de culturas, como trigo, soja e milho. Por isso direcionei a metodologia do trabalho para a criação de uma ferramenta genérica que pudesse ser facilmente parametrizada e disponibilizada aos pesquisadores que conhecem a fisiologia das plantas e o desenvolvimento de doenças. A partir disso, o pesquisador tem condições de preparar um sistema que responde com a maior fidelidade possível à realidade da lavoura”.
Segundo Willingthon, o objetivo foi trazer as modernas técnicas de computação e a engenharia de software, que muitas vezes demoram a chegar nos bancos acadêmicos, e incorporá-las na agricultura, criando uma ferramenta de modelos de simulação que atendesse as necessidades dos produtores sem deixar de alinhar o conhecimento acumulado em 50 anos que são os modelos de crescimento e desenvolvimento de plantas. ”Com essa ferramenta, desde que se monte um cenário é possível aplicar o modelo de simulação”.
Pavan destaca a importância da inserção e utilização da tecnologia entre os agricultores além da relação direta com as culturas da região. ”No projeto contemplamos doenças que tem maior importância econômica na cultura do trigo como a giberela e a ferrugem da folha, não só na questão da incidência e severidade, mas também de espacialização, caracterizada pela disseminação do inóculo na folha, entre as folhas, nas plantas, no talhão ou na lavoura onde está localizado o foco”. Pavan explica que com o sistema o produtor acompanha a evolução das doenças e pode ser alertado dos riscos de infecção na lavoura, além de fazer a retroalimentação de dados disponibilizando as informações observadas no campo. ”Ele recebe informação e ao mesmo tempo é um alimentador tornando, com sua colaboração, o sistema mais eficiente”.
Aplicabilidade
Numa parceria entre a Universidade de Passo Fundo, Embrapa Trigo e Setores privados nasceu um projeto denominado Mosaico que disponibilizará, ainda em 2007, aos agricultores do Rio Grande do Sul, o site www.sisalert.com.br. A plataforma SISALERT, demonstrou a viabilidade da aplicação prática em larga escala para o auxilio à tomada de decisão. No site o produtor poderá encontrar ferramentas de simulação e disponibilização de informações sobre doenças durante 24 horas. ”Estamos conectados com um grande número de estações meteorológicas do Inmet, pluviômetros da Defesa Civil, realizamos coleta de dados sobre condições climáticas num grid de 40 km, alguns produtores que possuem estações meteorológicas em suas propriedade também estarão disponibilizando dados para o sistema. Na verdade, está sendo montada uma rede para oferecer ferramentas que realmente sejam úteis ao usuários finais, este sempre foi objetivo do nosso trabalho”, conclui Pavan.
Interessado em obter informações sobre o PPGAgro da Universidade de Passo Fundo podem visitar o site: www.ppgagro.upf.br ou contatar o programa através do fone: (54) 3316 8152.