Lavoura referencia de manejo
No dia 20 de setembro de 2009 o trigo da área A encontrava-se na fase de espigamento pleno, com 70 cm de altura. Apresentava a folha bandeira e FB-1 verdes e a FB-2 com manchas foliares e folhas inferiores secas. Não foi observada a presença de ferrugem-da-folha e de oídio na lavoura. Percebeu-se a falta de folhas para a interceptação total da radiação solar.
Na área B, que estava em pousio, foi efetuado o controle de plantas de folhas largas (buva e nabo) no mês de agosto, mantendo azevém e outras gramíneas como cobertura.
Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes da cobertura vegetal em 20 de setembro e 10 de outubro de 2009.
Na área C o nabo com aveia foi dessecado e apresentava rápida decomposição de folhas e biomassa, situação adequada para a semeadura de milho e aquecimento do solo para a germinação. Não foi observada a presença de plantas com escleródios de mofo-branco.
Na área D o trigo encontrava-se na fase final de emborrachamento e folha bandeira plena, com 50 cm de altura. As folhas bandeira, FB-1 e FB-2 apresentavam coloração verde, já a FB-3 estava amarelada ou esbranquiçada, sem aparência visual de fungos patogênicos. Não se observou a presença de ferrugem-da-folha ou de oídio na lavoura. O IAF mostrava cobertura suficiente para interceptação da radiação solar.
Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes da cobertura vegetal em 20 de setembro e 10 de outubro de 2009.
No dia 10 de outubro a área A encontrava-se no estádio de enchimento de grãos, com grãos quase formados em estado leitoso. Mesmo com a elevada ocorrência de chuvas durante todo o ciclo do trigo a lavoura apresentou baixa incidência de doenças, com algumas manchas foliares, mas não foi constatada a presença de ferrugem-da-folha ou oídio. Durante o enchimento de grãos o desenvolvimento de giberela está sendo muito baixo, quase inexistente.
Na área B foi observada a predominância de azevém espontâneo. Essa área foi dessecada no dia 11 de outubro para semeadura da soja. No inverno foi feito o manejo para controle de buva e nabo forrageiro com resultados satisfatórios, pois a área não apresenta incidência dessas plantas.
Na área C foi finalizada a semeadura do milho, pois o clima não permitiu a semeadura no mês de setembro como era a intenção do produtor. A cobertura vegetal estava completamente morta. Não foram observados problemas de resistência de plantas daninhas devido à prática de rotação de culturas intercalando milho com soja no talhão.
O trigo da área D encontrava-se no início do enchimento de grãos. Foram realizadas 3 aplicações de fungicida. A área não apresentava plantas daninhas e não foi necessário o controle de azevém devido à rotação com milho no verão. Poucas doenças foram observadas, apenas alguns pontos com manchas foliares, e a cultura estava na fase crítica para o aparecimento de giberela.
Apesar da dificuldade de semeadura sobre a palha de nabo a população final desta área ficou superior a da lavoura A devido à quantidade de grãos/ha que foi usado, 20 % superior para compensar a dificuldade da semeadura.
Houve a observação de sintomas de deficiência de nitrogênio nas lavouras A e D, devido ao excesso de chuvas no período (ver gráfico).
Não foi verificada a ocorrência de viroses provocadas por pulgões. Em ambas as áreas foi usado inseticida fisiológico de forma preventiva para o controle de lagartas.
O gráfico mostra as oscilações das precipitações mensais em 2009 em relação a média de 30 anos observadas na Embrapa Trigo, situada a 7 km de distância das áreas de referência.