Culturas Intercaladas ao Milho para Produção de Massa e Cobertura do Solo


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Publicado em: 01/10/2009

Culturas intercaladas ao milho para produção de massa e cobertura do solo

Jorge Wilson Cortez1, Carlos Eduardo Angeli Furlani2, Rouverson Pereira da Silva2 1Engenheiro-agrônomo, Professor Adjunto da Universidade Federal do Vale do São Francisco, UNIVASF, Campus de Juazeiro – BA - E-mail: jorge.cortez@univasf.edu.br²Docente da UNESP, Departamento de Engenharia Rural, Campus de Jaboticabal – SPE-mails: furlani@fcav.unesp.br; rouverson@fcav.unesp.br

O termo plantio direto origina-se da idéia de plantar direta-mente sobre o solo não lavrado, e o termo na palha acrescenta a idéia de manter o solo sempre protegido por resíduos (CARDOSO, 1998). Com o intuito de combater a erosão, a idéia de manter a cobertura vegetal, trás como efeito o controle do escorrimento da água de chuva por meio de resíduos, que reduzem a velocidade da água em movimento, dando mais tempo para sua infiltração.

Podem-se classificar os sistemas de manejo do solo em intensivo (arados e grades), reduzido (escarificador) e sistema plantio direto, e dentre estes, os dois últimos são considerados manejos conservacionistas. Já o ”preparo convencional” é definido, e aceito pela comunidade científica, como aquele em que ocorre a mobilização do solo por preparo primário (aração) e por preparo secundário (gradagens).

Sistemas que mantenham quantidade adequada de cobertura vegetal sobre o solo (sistema plantio direto), principalmente durante os períodos mais críticos (secos), são os mais procurados devido a preocupação cada vez maior, com a conservação do solo, que em longo prazo, poderá apresentar maior lucratividade (FURLANI, 2000). As técnicas de conservação do solo e da água são essenciais para manter as características químicas, físicas e biológicas dos solos.

Para alcançar melhores resultados no sistema plantio direto o uso de plantas de cobertura é fundamental, pois deve-se considerar os aspectos culturais do agricultor e conhecer com profundidade os inúmeros detalhes referentes às espécies de adubo verde e também o local, as condições edafoclimáticas específicas e os sistemas de produção em curso, que será implantado o cultivo de cobertura, bem como suas vantagens (aumento de carbono orgânico no solo, suprimento de nitrogênio, descompactação, diminuição de pragas e doenças, supressão de invasoras, agregação do solo, entre outras) (CALEGARI, 2000).

O uso de culturas intercalares junto ao milho torna-se possível por apresentar maior espaçamento de cultivo, 0,75 a 1,00 m entre fileiras e possuir altura de inserção da espiga acima de 1,0 m.

Para a implantação e manutenção do sistema de plantio direto é indispensável que o sistema de rotação de culturas promova a permanência da quantidade mínima de palhada, que nunca deve ser inferior a 2,0 Mg ha-1 de matéria seca.

Em questão de consórcio, o milho e o feijão formam o mais antigo, mas a incorporação de nitrogênio é pequena. No entanto, o consórcio de milho com mucuna, feijão-de-porco ou feijão-guandu tem se mostrado eficiente por manter o solo coberto, evitar a emergência de plantas daninhas e melhorar as propriedades do solo.

Dados da pesquisa demonstram que a utilização do feijão-guandu-anão como cultura intercalar apresenta a menor produção de massa, principalmente devido ao baixo desenvolvimento inicial, não afetando a cultura principal (PELA, 2002).

Outra cultura recomendada para a adubação verde, principalmente em olericultura e no cultivo de frutíferas perenes e cafeeiros, é a feijão-mucuna-cinza-anã, que atinge altura máxima ao redor de 44-50 cm, sendo também recomendada para consórcios de verão. Dentre outras culturas, o feijão-lab-lab é uma herbácea perene e cultivada como anual (SENO et al. 1996) é um ótimo adubo verde, e apresenta boa produção de forragem no outono (LOVANDINI, 1972).

A pesquisa

Em experimento conduzido pelo Laboratório de Máquinas e Mecanização Agrícola (LAMMA) do Departamento de Engenharia Rural, pertencente a UNESP/ Jaboticabal, visando a formação dos consórcios (milho + feijão-mucuna-cinza-anã, milho + feijão-guandu-anão e milho + feijão-lab-lab), que foi obtida no momento da semeadura, em que as sementes das culturas intercalares foram depositadas a 7 cm de profundidade, enquanto o milho a 3 cm de profundidade, para obter atraso na emergência das culturas intercalares e melhor desenvolvimento do milho. Estas profundidades foram obtidas com a roda de controle de profundidade dos discos duplos de abertura do sulco de deposição de sementes. Na semeadura, os depósitos de sementes das linhas da semeadora-adubadora, espaçados de 45 cm, foram alternadamente preenchidos com milho e as sementes das culturas intercalares.

Foi determinada a biomassa seca das culturas intercalares utilizadas na formação dos consórcios realizadas aos 30, 60 e 90 dias após a semeadura, coletando-se cinco plantas consecutivas.

Foi determinada a porcentagem de cobertura do solo aos 30 dias após a semeadura definindo o que foi cobertura do solo por milho e culturas consorciadas, para isso utilizou-se um fio de cobre encapado com 7,5 m de comprimento e com marcações equidistantes de 15 cm, sendo realizadas duas leituras nas diagonais da parcela, totalizando 100 pontos (Adaptado de LAFLEN et al., 1981).

A biomassa seca das plantas de milho foi obtida pela coleta de dez plantas na parte central da parcela.

Com a coleta de dez espigas na parte central da parcela, foram tomadas as medidas da produtividade a 13% de umidade.

Resultados

Para a biomassa seca das culturas intercalares (Tabela 1) observa-se diferença para os consórcios aos 30, 60 e 90 dias. O feijão-lab-lab apresentou a maior massa seca em todas as épocas. Aos 30 dias após a semeadura o feijão-mucuna-cinza-anã apresentou a menor massa seca, aos 60 e 90 dias o feijão-guandu-anão foi o menor junto com a anterior. Pode-se verificar o desenvolvimento das culturas (Figura 1) aos 30, 60 e 90 dias e observa-se a maior produção de massa seca pelo feijão-lab-lab.

Tabela 1. Resultados médios da biomassa seca das culturas intercalares durante o desenvolvimento da cultura do milho.

Figura 1. Desenvolvimento morfológico das culturas consorciadas com o milho: feijão-mucuna-cinza-anã, feijão-guandu-anão e feijão-lab-lab, aos 30, 60 e 90 dias, após a semeadura.

Após a semeadura, com a instalação dos consórcios, definiu-se a cobertura do solo (Tabela 2) com os mesmos e apresentou diferença, sendo o feijão-lab-lab com a maior cobertura do solo, e a menor com a feijão-mucuna-cinza-anã. Este resultado define-se pelo rápido desenvolvimento inicial do primeiro e o lento desenvolvimento da segunda.

Tabela 2. Resultados médios da cobertura do solo aos 30 dias após a semeadura pelo milho (C30m), cobertura do solo após 30 dias da semeadura com culturas de cobertura (C30c), biomassa seca das plantas de milho (BM) e produtividade do milho (P).

A cobertura do solo é um critério utilizado para se classificar um sistema de preparo do solo em conservacionista ou não. Desta forma, caracteriza-se como sistema conservacionista aquele que preconiza uma cobertura do solo superior a 30% de resíduos após a semeadura.

As semeadoras-adubadoras incorporam a palha no momento da semeadura e sob esse aspecto, a utilização de mecanismos aterradores é necessária visando a menor incorporação de palha e aumento na quantidade de palha para cobertura do solo.

Nenhum dos fatores aplicados diferenciou-se com relação a biomassa seca e a produtividade do milho. Isto pode ser explicado pelas condições de cultivo que proporcionaram ambiente para que o híbrido simples pudesse apresentar seu potencial.

Considerções Finais

As culturas consorciadas com o milho apresentaram produção de massa seca diferentes, sendo a maior quantidade de massa foi produzida pelo feijão-lab-lab em todas as fases de avaliação. Outro quesito importante é a proteção do solo contra impactos das gotas da chuva e a radiação solar, e verificou-se que o feijão lab-lab também apresentou a maior porcentagem de cobertura do solo, do que, o feijão mucuna-cinza-anã e o feijão guandu-anão. Estas culturas não afetaram a produtividade do milho, assim poderia selecionar em virtude das condições de cada propriedade.

Referências Bibliográficas

CALEGARI, A. Rotação de culturas e uso de plantas de cobertura: dificuldade para sua adoção. In: ENCONTRO NACIONAL DE PLANTIO DIRETO NA PALHA, 7, 2000, Foz do Iguaçu, Anais... Foz do Iguaçu: Federação Brasileira de Plantio Direto na palha, 2000. p.145-146.

CARDOSO, F. P. Plantio direto na palha. São Paulo: Manah, 1998, 21p.

FURLANI, C.E.A. Efeito do preparo do solo e do manejo da cobertura de inverno na cultura do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.). 2000. 218 f. Tese (Doutorado em Energia na Agricultura) - Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2000.

LAFLEN, J.M.; AMEMIYA, M. HINTZ, E.A. Measuring crop residue cover. Journal of Soil and Water Conservation, Ankeny, v.36, n.6, p. 341-343, 1981.

LOVANDINI, L.A.C. Emprego de Dolichos lab lab como adubo verde. Estudo do plantio intercalado na cultura do milho. Bragantia, Campinas, v.5, n. 8, p.97-108, 1972.

PELA, A. Uso de plantas de cobertura em pré-safra e seus efeitos nas propriedades físicas do solo e na cultura do milho em plantio direto na região de Jaboticabal – SP. 53f. 2002. Dissertação (Mestrado), FCAV – UNESP, Jaboticabal, SP.

SENO, M.S.; GOMES, L.; CORTELAZZO, A.L. Caracterização do material de reserva em feijão-guandu, lab-labe e mucuna. Bragantia, Campinas, v. 55, n. 1, p. 67-73, 1996.

Publicado na Revista Plantio Direto, edição 113, setembro/outubro de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.