Lavouras Referência de Manejo


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Publicado em: 01/06/2010

Lavouras referência de manejo

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes de pousio depois da colheita de soja 15 de maio e 24 de junho de 2010.

Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes da cobertura de solo em 15 de maio e 24 de junho de 2010.

Observações do período

As precipitações mensais variaram muito em relação às normais (médias de 30 anos) e não mostraram períodos de déficit hídrico, dentro do mês, que afetassem a produção. No período entre 29 de março e 12 de maio de 2009, 45 dias, choveu 8,9 mm em Passo Fundo, causando perdas severas no enchimento de grãos e perdas nas colheita de soja. Nas três primeiras semanas de abril de 2010, não foram registradas chuvas, mas a soma mensal mostra 216 mm, 53% acima da normal.

Com base nas variações históricas de intensidade e de freqüência de chuvas o agricultor necessita planejar o manejo do solo para a armazenagem de água, com a adubação verde, rotação de culturas e redução no passeio de máquinas.

As temperaturas de outono de 2010 podem ser consideradas amenas, pois em 24 de junho, as plantas de soja nas áreas A, B e D estavam vegetando, não tendo sido afetadas por geadas.

Depois de um ano de avaliações em quatro áreas com diferentes manejos, constatou-se que a soma da produção de grãos, para a geração de renda, mostrou diferenças entre 4,1 t/ha de soja na área B, de pousio de inverno, e 11,4 t/ha de milho no sistema de rotação com soja e adubação verde no inverno.

A área A, com trigo no inverno e soja no verão, representa aproximadamente 25% das lavouras de sequeiro na região Sul do Brasil. A soma da colheita de trigo (2820 kg) e soja (3320 kg) foi de 6140 kg/ha. A soma da biomassa (grãos + palha) foi estimada em 11000 kg/ha. O sistema permitiu o estabelecimento de populações de grilos, corós e fungos necrotróficos (manchas foliares).

Plantas de buva na área B, de pousio (esquerda) e adubação verde com nabo-forrrageiro na área D.

A área B, com soja no verão e vegetação espontânea (pousio) no inverno, representa aproximadamente 30% das lavouras destinadas à produção de grãos no Sul do Brasil, com variações regionais, onde se adota a safrinha como segunda cultura de verão. Essa área teve maior população de corós, grilos e sintomas de doenças radiculares na fase vegetativa da soja. Também se constatou a maior população de buva, mesmo com o controle químico seqüencial, praticado no outono e inverno. A área teve a menor produção de grãos anual, com 4080 kg e a menor produção de biomassa vegetal, durante o ano, com estimativa de 7000 kg/ha.

Produção de grãos durante um ano, nas quatro áreas de avaliação.

Soma de produção de biomassa seca (grãos, resíduos de colheita e adubação verde), em um ano, nas quatro áreas avaliadas.

As áreas C e D têm as práticas de rotação de culturas e adubação verde planejadas. O sistema básico tem o trigo no inverno seguido de soja no verão, aveia + nabo no outono e milho no verão seguinte.

A área C teve a maior produção de grãos, com 11370 kg de milho/ha e mais de 23000 kg de biomassa seca, incluído os grãos colhidos, os resíduos de colheita e a adubação verde.

Na área B, as plantas de soja espontâneas apresentavam 100 % de severidade de oídio, enquanto nas áreas A e D raramente se constatou essa doença nas plantas.Revista Plantiio Direto, edição 117, maio/junho de 2010. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.