Lavouras Referência de Manejo


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Publicado em: 01/02/2011

Lavouras referência de manejo

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes da soja em 8 de janeiro e 13 de fevereiro de 2011.

Lavoura C (esquerda) com detalhes do desenvolvimento da soja e lavoura D (direita) com milho nas fases de enchimento de grãos e final de maturação, em 08 de janeiro e 13 de fevereiro de 2011.

As lavouras A e B não tiveram trigo no inverno de 2010 nem semeadura de culturas para adubação verde. A cobertura de solo nos meses de outono, inverno e início de primavera foram de vegetação espontânea.

Em 13 de fevereiro a soja da lavoura A encontrava-se no estádio R5.4, fim da fase de enchimento de grãos e 95 cm de altura. A população de plantas determinou a queda de folhas dos cinco nós inferiores.

A lavoura B, com soja mais tardia, estava no estádio R5.2, início de enchimento de grãos e 115 cm de altura e perda de folhas nos 8 nós inferiores. A população elevada para o tipo de planta resultou na queda das folhas inferiores pela falta de radiação solar. Isso também favoreceu o desenvolvimento de fungos, principalmente Phomopsis, causando a morte e queda de folhas até os nós intermediários e também já mostrava morte de hastes inferiores, com sintoma característico dessa doença.

Nas duas lavouras, com soja no verão e pousio no inverno ocorreram mortes adultas causadas por Rizoctonia e por Macrophomina. Nessas áreas também se constatou a presença de buva sobrevivente do manejo com os herbicidas glifosato e misturas com metsulfuron e clorimuron.

Plantas com doenças na base do caule de soja (esquerda) causadas por Rizoctonia sp. (meio) ou por Macrophomina phaseolina (direita), nas lavouras A e B.

As plantas de buva com uma haste principal apresentavam em torno de 30 mil sementes e as com várias hastes já apresentavam inflorescência com capítulos e estimativas de mais de 300 mil aquênios (sementes).

Sintomas de fitotoxicidade de fungicidas triazóis em folhas superiores de soja, na lavoura A (esquerda) e planta de buva rebrotada, depois de controle com herbicidas, na Lavoura B com mais de 300 mil sementes.

Sem dúvida, a monocultura da soja está beneficiando a ocorrência e a severidade das doenças de caule de soja e a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

A lavoura C, com soja em sistema de rotação de culturas planejada, que teve milho no verão passado e aveia para grão no inverno de 2010, encontra-se com 85 cm de altura e estádio R5.2, fase intermediária de enchimento de grãos. A população reduzida, com menos de 20 plantas por metro quadrado, manteve as folhas verdes desde a base, com distribuição equilibrada de legumes. A sanidade pode ser considerada muito boa, com ausência de plantas mortas na lavoura ou hastes infectadas por fungos nas plantas. Com base nas observações das três lavouras com diferentes sistemas de manejo de soja, pode-se afirmar que o controle de plantas daninhas resistentes a herbicidas e a redução de ocorrência e severidade de doenças está relacionada com a rotação de culturas e com a população adequada de acordo com as características de cada cultivar.

Na lavoura D, tem a cultura do milho, com base em planejamento de rotação de culturas. O desenvolvimento vegetativo e reprodutivo foi considerado excelente com expectativa de lavoura de alta produção e rentável do que a soja. O plantio da cultura atendeu ao planejamento de rotação de culturas, mesmo diante dos prognósticos de baixos preços e de déficit hídrico no verão.

Condições meteorológicas

As chuvas de janeiro foram próximas à normal e até 20 de fevereiro já superaram a considerada normal para o mês. A distribuição das chuvas no ciclo das culturas de verão pode ser considerada excelente.

De forma geral, até fevereiro, as chuvas e temperaturas foram muito favoráveis para a cultura de milho, levando a estimativa de safra recorde.

A soja, com a ocorrência de chuvas regulares desenvolveu plenamente e com excesso de área foliar e baixa severidade de doenças. É importante lembrar que parte das cultivares de soja é de ciclo médio, com enchimento de grãos em março, e que ainda dependem de chuvas nesse período.

Revista Plantio Direto, edição 121, Janeiro/Fevereiro de 2011. Aldeia Norte Editora. Passo Fundo, RS.