Lavouras referência de manejo
Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas em 10 de março e 13 de abril de 2012.
Em 10 de março a lavoura de milho já havia sido colhida e as lavouras de soja apresentavam desenvolvimento atrasado e tamanho reduzido de plantas, causado pelo período de estiagem.
As lavouras A e B, com o cultivo repetido de soja, apresentava queda de folhas na metade inferior das plantas, causadas por déficit hídrico e por manchas foliares.
A área B, com soja no verão e pousio de inverno repetido por vários anos, apresentava manchas de reboleira causadas por fungos, Rizoctonia sp. e por nematóides. O número de manchas e o tamanho das reboleiras cresceu nos últimos três anos de acompanhamento, nessa área, sem rotação nem cultivo de plantas no outono e inverno.
Manchas de reboleira em soja, na área B, causadas por Rizoctonia sp. e por nematóides.
Lavoura C teve o milho colhido em fevereiro e não apresentava população significativa de plantas daninhas, ausência de buva e de pragas de solo.
Em 10 de março a lavoura D, apresentava soja com menor crescimento vegetativo. Destacavam-se faixas com população elevada de buva, que havia se estabelecido na cultura de trigo, na primavera de 2011. Isso ocorreu nas áreas com menor desenvolvimento do cereal, causado por deriva de herbicidas aplicados em milho na área C. O estabelecimento da buva evidencia a importância da cobertura vegetal do outono até a primavera, para reduzir o estabelecimento de plantas daninhas. Umas dessas plantas de buva foi examinada e estimada a produção de mais de 520 mil sementes.
Montículo de terra de grilo marron, Anurogryllus muticus, nas áreas A e B, em 13 de abril de 2012.
Planta de buva com estimativa de 520 mil sementes, na área D.
Em fim de abril de 2012, era evidente a ausência de cobertura vegetal semeada, nas quatro áreas. O milho foi colhido há mais de dois meses e a soja entre 30 e 45 dias. Falta a consciência do valor da cobertura permanente do solo.
O segundo aspecto é a importância da rotação de culturas na supressão de pragas, doenças e plantas daninhas, além da produção de palha com a inclusão de milho no sistema de produção de soja.
O terceiro processo é o de qualidade de semeadura de todas as culturas. Melhorar o processo de semeadura, combinado com a cobertura permanente do solo e a rotação de culturas são boas práticas agrícolas que podem aumentar significativamente a produção de grãos, suprimir pragas, doenças e plantas daninhas.
Tempo
A safra de verão de 2011/12 foi de frustração por déficit hídrico. As chuvas diminuíram a partir de 15 de novembro e foram abaixo das normais nos meses de verão em torno de 40%. Entretanto, a soma das chuvas chegou a 400 mm, o que seria suficiente para garantir uma safra normal de grãos. As chuvas variaram por região e lavouras, ocorreram concentradas em poucos dias do mês, com déficit hídrico em períodos prolongados, de duas a três semanas. Nas lavouras avaliadas, observaram-se diferenças de estresse hídrico nas plantas, que pode ser atribuído ao manejo de cada área, relacionado com a armazenagem e disponibilidade de água no solo. O manejo de solo, com maior quantidade de raízes e palha na superfície, pode gerar ambiente com maior capacidade de armazenagem de água.
Publicado na Revista Plantio Direto edição 128, março/abril de 2012. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.