Lavouras referência de manejo
Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas em 01 e 19 de fevereiro de 2012.
Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes das plantas em 01 e 19 de fevereiro de 2012.
Observações do período
Na lavoura A, a soja foi semeada sobre palha de aveia e sob condições de umidade de solo adequada, teve bom desenvolvimento vegetativo, melhor tolerância ao período de déficit hídrico e apresentou maior número de nós com legumes. Em janeiro e até o início de fevereiro constatou-se a incidência de bacteriose e oídio em 100% das plantas. A bacteriose nas folhas do quinto a sétimo nó e o oídio nas folhas do terço inferior. O rigor do déficit hídrico determinou a quedas das folhas inferiores e com elas desapareceram as folhas com sintomas de doenças. Foi constatada a presença de plantas mortas por dano de larvas de tamanduá-da-soja, resultado da sucessão de soja no verão. Em 19 de fevereiro as plantas apresentavam 15 nós no ramo principal, nove com legumes e apenas cinco com folhas verdes.
Na lavoura B, sob soja contínua e pousio no inverno apareceram os maiores problemas com doenças radiculares, mancha-de-reboleira causada por rizoctonia e manchas com namatóides de galhas nas raízes. A severidade de bacterioses e oídio em janeiro foi maior do que na lavoura A. Também, foi maior a ocorrência de plantas danificadas pelas larvas do tamanduá-da-soja, beneficiado pela monocultura de soja no verão e ausência de plantas cultivadas nos meses de inverno. Em 19 de fevereiro as plantas apresentaram 15 nós, sete deles com legumes e cinco com folhas verdes. A aparência geral da lavoura é de maior estresse sofrido pela período de déficit hídrico e faixas com amarelecimento de plantas, resultado da distribuição de palha da colheita anterior e da qualidade de semeadura.
O milho da lavoura C sofreu o efeito de déficit hídrico no período de enchimentos de grãos. A colheita variou entre 4,2 e 7,8 t/ha. Na safra passada foi colhido 13,8 toneladas de milho por hectare.
A lavoura D, com soja semeada depois da colheita de trigo, sofreu mais com o período de estiagem na fase de desenvolvimento vegetativo. O tamanho das plantas é menor, com 14 nós no ramo principal, oito deles com legumes e seis com folhas verdes. A sanidade das folhas, a ausência de reboleiras de plantas mortas por doenças, nematóides ou pragas, é evidência do sistema de rotação de culturas com alternância de milho e soja no verão e trigo ou adubação verde no inverno.
Mancha-de-reboleira, com plantas mortas causadas pelo fungo Rizoctonia solani, na lavoura B, sem rotação de culturas e pousio no inverno.
Plantas com sintomas de danos causados por granizo, na fase inicial de desenvolvimento das plantas.
Espigas com 228, 97 e 66 gramas de grãos de milho, colhidas na lavoura C.
As temperaturas na superfície de folhas de soja, foram superiores a 40 oC.
Tempo
As condições de tempo no verão de 2012 foram de poucas chuvas e distribuídas de forma irregular. Nas quatro lavouras avaliadas, situadas num raio de 1 km, algumas chuvas ocorreram em faixas, cobrindo parte das áreas. Da mesma forma a distribuição de chuvas foi localizada nas principais regiões de produção de soja e de milho no Sul do Brasil.
Com base em dados da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, choveu 91 mm, em dezembro. Porém, 72% nos últimos 3 dias do mês. Em janeiro de 2012, 75% dos 105 mm de chuva ocorreram em 3 dias, em meados do mês.
As temperaturas na superfície de folhas de soja, no período de estiagem, nos dias de maior evidência de déficit hídrico foram acima de 40 oC. Os baixos teores de umidade do ar combinados com temperaturas elevadas resultaram em déficit hídrico letal para patógenos, impedindo o desenvolvimento de doenças, especialmente a ferrugem-da-soja.
Em dezembro ocorreu chuva de granizo, com danos nas hastes e caule, que mantiveram os sinais das injúrias nas plantas adultas.
Publicado na Revista Plntio Direto, edição 127, janeiro/fevereiro de 2012.