Qualidade na Semeadura das Culturas de Inverno


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Publicado em: 01/02/2012

Qualidade na semeadura das culturas de inverno

Eduardo CopettiDesenvolvimento de Mercado/Produto da Semeato S/A Indústria e Comércio. eduardo.copetti@semeato.com.br

Em qualquer sistema, a semeadura deve possibilitar o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas desejada. Para isso, a semeadora deve formar um ambiente de semeadura que possibilite a absorção de água pelas sementes e as condições de temperatura e disponibilidade de oxigênio adequadas ao processo de germinação.

As semeadoras-adubadoras realizam o corte da palhada, a abertura de sulcos no solo, dosagem das sementes que serão distribuídas, colocação das sementes nos sulcos, cobertura das sementes depositadas, fixação da camada de solo em volta das sementes e aplicação, dosagem e incorporação dos fertilizantes. A máquina deve garantir uniformidade de distribuição em todas as linhas, colocar as sementes em profundidade uniforme e cobri-las com uma camada de terra.

As máquinas utilizadas para a semeadura das culturas de inverno ou culturas de grãos finos (trigo, aveia, cevada,...), são denominadas de semeadoras de fluxo contínuo, ou seja, apresentam sistema de distribuição de sementes através de rotores acanalados helicoidais, que distribuem as sementes de forma contínua, diferentemente das semeadoras de precisão que distribuem as sementes individualizadas. Outra característica marcante das semeadoras de grãos miúdos é o espaçamento entre linhas. Estas máquinas apresentam espaçamentos entre linhas reduzidos, normalmente de 17 cm.

Basicamente existem dois tipos de semeadoras que podem ser utilizadas para a semeadura de grãos finos:

semeadoras específicas para grãos miúdos, tipo TD e,

semeadoras múltiplas, que realizam tanto a semeadura de grãos finos como de grãos graúdos.

No caso das máquinas múltiplas, se faz necessário prepará-las para a semeadura com espaçamento reduzido, visto que o último trabalho realizado por estas máquinas foi a semeadura de culturas de grãos graúdos (soja, milho,...), que utilizam-se de espaçamentos entre linhas maiores.

As máquinas múltiplas são importantes, pois, além de proporcionarem melhorias na qualidade do Sistema Plantio Direto, possibilitam a introdução de novas espécies, viabilizando, desta forma, a rotação de culturas que é fundamental para o sucesso do sistema. Estas máquinas também apresentam algumas particularidades, no que se refere a qualidade da semeadura: trabalham com rodas limitadoras de profundidade e por isso apresentam maior uniformidade na profundidade de colocação das sementes e menor revolvimento de solo, o que é uma característica muito favorável em se tratando de Plantio Direto. Outra característica importante das máquinas múltiplas é a utilização de dois tubos porta-ferramentas para a fixação das linhas. Isto representa maior defasagem entre as mesmas resultando em maior vazão da palhada, diminuindo significativamente a possibilidade da ocorrência dos ”embuchamentos”.

As máquinas múltiplas possibilitam a introdução de novas espécies, viabilizando a rotação de culturas que é fundamental para o sucesso do plantio direto.

No sistema plantio direto a operacionalidade das semeadoras assume papel importante, uma vez que vários fatores afetam o estabelecimento da cultura, entre eles a velocidade e a profundidade de semeadura. Além desses, também é importante o teor de água no solo, que na Região Sul do Brasil costuma ser excessivo na época de semeadura, prejudicando a eficiência das semeadoras, o que aumenta a importância da capacidade operacional em condições de umidade ideal de semeadura.

Profundidade de semeadura

A profundidade de semeadura deve ser adequada para que possa garantir a germinação e emergência das sementes e rendimento de grãos, para isso, deve-se considerar as características das sementes, as condições físicoquímicas do solo, clima e manejo das culturas.

Maiores profundidades de colocação das sementes podem causar dificuldades de emergência das plantas devido ao maior consumo energético das reservas das sementes. Profundidades inferiores a 2,0 cm podem determinar dificuldades na germinação e emergência em situações de baixo teor de umidade no solo e também, devido ao menor contato da semente com o solo.

A profundidade de colocação das sementes é um fator de difícil controle, especialmente em se tratando de Plantio Direto devido a presença da camada de palha na superfície do solo. O controle da profundidade de semeadura das culturas de inverno pode ser realizado através de aros limitadores fixados junto aos sulcadores nas máquinas tipo TD ou através de rodas limitadoras de profundidade posicionadas ligeiramente atrás dos sulcadores, no caso das máquinas múltiplas. Neste caso é possível a realização de diferentes ajustes para diferentes situações de plantio.

Velocidade de semeadura

A velocidade de semeadura tem grande influência sobre o desempenho das semeadoras. Em geral pode-se afirmar que na grande maioria das situações e em todos os diferentes sistemas de semeadura a qualidade da semeadura diminui quando se aumenta a velocidade de trabalho. Alguns trabalhos têm mostrado que o uso de maiores velocidades de avanço durante a semeadura resultam em populações de plantas menores, maiores distâncias entre as plantas e aumento dos danos mecânicos nas sementes.

Em geral, a velocidade recomendada para a semeadura das culturas de inverno, segundo recomendações dos fabricantes, é de 6,0 – 8,0 km/h.

A eficiência das semeadoras poderá ser avaliada por meio de dois parâmetros principais: a distribuição longitudinal de sementes e o coeficiente de variação dos espaçamentos. A uniformidade de distribuição longitudinal de sementes é uma característica que mais contribui para a obtenção de um stand adequado de plantas e, consequentemente, para a melhoria da produtividade das culturas.

Durante a operação de semeadura, alguns pontos devem ser observados para a obtenção de uma operação com alta qualidade: eficiência de corte da palha, dosagem e posicionamento do fertilizante, dosagem e posicionamento da semente, fechamento e cobertura do sulco. A qualidade de corte da palha é um fator norteador de todo processo de funcionamento da semeadura, pois dele depende o funcionamento dos demais componentes da máquina. Um eficiente corte de palha pode ser analisado pelo grau de afastamento da palha provocado pelos sulcadores, como também pelo número de ocorrências de embuchamentos e de paradas.

Com relação a qualidade da fertilização, deve-se avaliar a regularidade da dosagem e a variação entre as linhas. A regularidade da quantidade de sementes viáveis, posição delas no solo e distribuição ao longo da linha de plantio são os parâmetros que qualificam o processo da colocação de semente no solo realizado pela unidade semeadora. Por fim a qualidade de desempenho da roda compactadora pode ser medida pela constância ou não da presença de sementes descobertas ou sulco mal fechado.

A semeadura é uma operação delicada que não permite erros e, a atenção durante a operação é de extrema importância, pois erros cometidos durante a semeadura poderão inviabilizar a produção. O sucesso de uma cultura depende de uma boa semeadura, por isso, atenção especial deve ser dada a esta operação.

Referências Bibliográficas

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Publicado na edição 127 da Revista Plantio Direto, janeiro/fevereiro de 2012.