A tecnologia de aplicação como aliada na proteção das plantas
Questionamentos de produtores e técnicos sobre a melhor forma de aplicação de agroquímicos são frequentes. O desafio de depositar as gotas da pulverização terrestre nas partes das plantas onde sua ação é desejada é um desafio para os aplicadores. Pesquisas recentes indicam formas de melhorar o controle das pragas, reduzindo a necessidade de reaplicações e minimizando o risco ambiental das pulverizações.
O sucesso de um tratamento fitossanitário em uma lavoura de soja, por exemplo, está associado ao uso de tecnologia de aplicação adequada e na observância de algumas variáveis do ambiente. Temperatura e umidade relativa do ar, velocidade do vento, a presença de orvalho e ocorrência de chuvas logo após as aplicações são fatores que exercem importante papel, podendo facilitar ou dificultar a chegada da gota nos órgãos das plantas onde deverão exercer os seus efeitos.
Para sanar dúvidas e repassar ensinamentos sobre o assunto, a Revista Plantio Direto convidou o professor do Curso de Agronomia da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo, Dr. Walter Boller, para ser um dos painelistas do evento Atualização Soja para Altos Rendimentos – o desafio dos 100 sacos por hectare, ocorrido em 12 de setembro, em Passo Fundo.
Na oportunidade, Boller abordou o tema a Eficiência dos métodos de aplicação para o melhor resultado na proteção de plantas: as doenças da parte inferior e as pragas da parte mediana da planta. Enfatizando alguns aspectos básicos da tecnologia de aplicação como condições climáticas favoráveis para se obter um melhor resultado: maior cobertura do alvo (espalhamento das gotas) e aderência (retenção da calda) e o cuidado na hora de escolher pontas e bicos.
Inicialmente, explicou que ”pulverização é uma coisa e aplicação é outra. A pulverização é a produção de gotas pela máquina aplicadora, porém não se tem certeza de onde essas gotas vão chegar. Já na aplicação, a grande maioria das gotas produzidas pela máquina são depositadas nos aonde queremos que elas cheguem. Infelizmente existem alguns elementos perturbadores do processo de aplicação como aspectos ambientais e de manutenção de equipamentos. De um modo geral, as máquinas não têm uma produção homogênea e sim heterogênea de gotas, o que implica em perder algumas delas e estas perdas se acentuam com o desgaste das pontas de pulverização”.
Boller cita o que chama de princípio básico para se alcançar o melhor resultado em uma aplicação: ”Na tecnologia de aplicação, ao reduzir o tamanho das gotas à metade, obtém-se oito vezes o número de gotas com o mesmo volume de calda. Este princípio deve ser observado para obter a cobertura que o alvo requer”.
A obtenção de uma cobertura adequada depende de alguns fatores como o volume de aplicação (L/ha), a área foliar a ser tratada e o tamanho das gotas. ”Se eu aumento o tamanho das gotas, tenho menor cobertura. Se eu aumento o tamanho da área foliar, já não tenho a mesma cobertura. Então ao longo do desenvolvimento da planta convém levar em consideração as alterações da área foliar das plantas e com base nisso ajustar as máquinas, para obter a cobertura de acordo com o desejado”.
Um aspecto de grande importância para a tecnologia de aplicação é levar em conta a classe e o modo de ação dos produtos que serão pulverizados. De modo geral, produtos classificados como sistêmicos penetram nas plantas e se translocam no seu interior podendo exercer sua ação em pontos mais ou menos distantes de onde foram depositados, ao passo que produtos com ação de contato somente exercem a sua ação ao redor de onde se depositaram. Por este motivo, produtos com ação de contato requerem maior cobertura do alvo (número de gotas/cm²). Herbicidas sistêmicos apresentam translocação acropetal e basipetal no interior das plantas, ao passo que inseticidas e fungicidas sistêmicos somente se translocam no sentido acropetal e a distâncias reduzidas. Os fungicidas sistêmicos apresentam ação translaminar, mas quase nenhum movimento nas folhas de soja, o que significa que onde sua ação é desejada devem ser depositadas gotas da sua pulverização. Isso equivale a dizer que fungicidas devem ser aplicados com maior densidade de gotas por unidade de área, aproximando-se das pulverizações necessárias para herbicidas e inseticidas com ação de contato. Em resumo, de acordo com a classe e o modo de ação dos produtos a ser pulverizados, as máquinas aplicadoras deverão ter suas regulagens ajustadas com o intuito de melhor atender aos requisitos de cada agrotóxico.
Segundo o professor, os erros mais frequentes estão no treinamento de operadores, falta de acompanhamento da operação, erros de calibração (vazão das pontas e sensores), pontas inadequadas ou desgastadas, velocidade excessiva do pulverizador, dimensionamento inadequado de pulverizadores para a área a ser tratada, condições climáticas desfavoráveis e misturas de produtos em tanque inadequadas. ”Uma distribuição uniforme dos produtos depende ainda da qualidade de bicos e pontas e da regulagem e conservação dos equipamentos”, destaca.
Escolha de pontas
Para diversos autores, as pontas de pulverização são consideradas as peças mais importantes de um pulverizador, uma vez que é delas que depende a formação das gotas, a delimitação do tamanho das gotas e da vazão e sua distribuição sobre os alvos. Para Boller, as dúvidas começam durante a escolha de pontas mais adequadas para a aplicação de produtos na lavoura. As orientações contidas nos catálogos dos fabricantes das pontas são importantes para orientar na correta seleção das mesmas, mas nem sempre oferecem todas as informações desejáveis para realizar uma escolha adequada para cada tipo de alvo e de produto a ser pulverizado. Uma alternativa, segundo ele, é observar o dossel das plantas, caracterizando a formação da parte aérea da cultura. ”Quando o dossel de plantas é muito fechado, as gotas que penetram melhor são as gotas finas (150 a 250 µm) e as médias (250 a 350 µm). As gotas maiores do que estas deslocam-se em linha reta e, na maioria das vezes, são interceptadas pelas folhas da parte superior das plantas”, não conseguindo depositar-se no interior do dossel da cultura.
Para uma determinada ponta, quanto maior a porcentagem de gotas finas e muito finas (< 150 µm) que fazem parte do espectro produzido, maior o risco de deriva (desvio do produto aplicado para fora da área alvo).
Na aplicação terrestre, para reduzir o tamanho das gotas, segundo o professor, o ideal é usar pontas de jato plano duplo ou cone vazio e/ou aumentar a pressão. Estas alternativas permitem a redução do volume de aplicação sem comprometer a cobertura do alvo, porém o seu uso é limitado a condições atmosféricas muito favoráveis, como será abordado mais adiante. Já para obter gotas maiores, o emprego de pontas denominadas de deriva reduzida, equipadas com pré-orifício ou aquelas com indução de ar acarretam uma redução do volume perdido por deriva, porém, em alguns casos o seu uso pode implicar em cobertura insuficiente (pequeno número de gotas muito grandes por unidade de área) ”Já é possível encontrar no mercado capas duplas que permitem a montagem de duas pontas com angulação uma para frente e a outra para trás, obtendo assim a dupla cobertura”, adianta.
Além do modelo de pontas, o tamanho das gotas ou a distribuição sobre o alvo, depende ainda das características do líquido e da pressão de operação. Neste sentido, via-de regra alguns adjuvantes exercem forte efeito redutor da deriva da pulverização (menor proporção de gotas muito finas) e outros se destacam pela redução da tensão superficial do líquido o que resulta em maior cobertura (espalhamento) do alvo pelas gotas depositadas.
Condições climáticas
Observar o tamanho das gotas, mas sem descuidar das condições do ambiente no momento da aplicação é fundamental para o sucesso de uma pulverização de agrotóxicos na opinião de Boller. ”A redução do tamanho das gotas permite um aumento da cobertura do alvo, mas há um aumento do risco de perda das gotas por deriva e por evaporação. Quando há necessidade de controlar a deriva, utilizam-se gotas maiores. Já o vento, se em excesso, pode arrastar as gotas para fora da área alvo e também acelerar a evaporação da calda aplicada sobre as folhas das plantas”, observa.
Ele explica que, na maioria dos casos, devem ser evitadas aplicações com umidade relativa do ar inferior a 50% e temperatura ambiente maior que 30°C. No caso do vento, o ideal é que as aplicações sejam realizadas com vento entre 3 km/h e 10 km/h. Ausência de vento também pode ser prejudicial, em função da possibilidade de ocorrer a inversão térmica (ar aquecido ascendente), o que dificulta a deposição das gotas pequenas e limita a sua distribuição no interior do dossel de culturas ”fechadas”.
Com relação às condições ambientais, Boller ressalta que em dias muito ensolarados, de altas temperaturas, pouco vento e solo descoberto, ocorre maior sustentação das gotas. Já em situação contrária, consequentemente ocorre a maior movimentação das gotas para os lados e para baixo, melhorando a cobertura em quantidade superior de folhas das plantas.
Com base em experimentos, observou-se que o início da manhã e à noite são períodos onde a umidade relativa é maior e a temperatura é menor, sendo considerados mais adequados para as aplicações de fungicidas e inseticidas. Na prática, é recomendável a utilização de gotas finas nestes horários. No caso de haver um aumento considerável da temperatura (com redução da umidade relativa), torna-se necessário mudar o padrão de gotas, passando a usar gotas maiores (médias ou grossas). Neste caso, o volume de aplicação deve ser aumentado, para compensar a redução que será observada na cobertura dos alvos.
Mas para surpresa do professor, pesquisas conduzidas na região de Passo Fundo, mostraram que aplicações realizadas no início da manhã em condições de temperatura e umidade relativa do ar favoráveis, tiveram uma menor eficiência no controle de doenças da soja e rendimento de grãos quando comparadas com aplicações realizadas em horários próximos ao meio-dia até o meio da tarde, normalmente não recomendados para pulverização. Uma das possíveis explicações, segundo ele, estaria relacionada à alteração do efeito guarda-chuva devido a modificação do ângulo das folhas da soja que se orientam em direção ao sol ao longo do dia. Este movimento das folhas da soja em direção ao sol aparentemente estaria favorecendo a maior penetração de gotas da pulverização no interior do dossel da cultura. Estas observações não podem ser extrapoladas na íntegra para regiões de clima mais quente do que a região de Passo Fundo, onde seja possível a ocorrência de temperaturas bem superiores a 30°C e umidade relativa do ar bem abaixo de 55% nas horas mais quentes do dia. Nestas condições é possível que a eficácia das pulverizações possa ser beneficiada pelo uso de eficientes adjuvantes redutores da deriva e protetoras das gotas contra a evaporação. Sem dúvida, nestas condições o tamanho das gotas da pulverização tem de ser aumentado para prevenir a sua evaporação antes que se depositem sobre o alvo. Ainda neste contexto, no clarear do dia, quando as extremidades das folhas da soja estão voltadas para baixo, é comum a existência de orvalho sobre as folhas. Este poderá ser prejudicial se for muito abundante de tal maneira que as gotas da pulverização que alcançam estas folhas venham a escorrer. Caso não ocorra o escorrimento das gotas da pulverização para o solo (o que também depende da formulação da calda pulverizada), espera-se que não haja prejuízo para o controle de pragas e doenças até o terço médio das plantas. Por outro lado, logo após o nascer do sol as folhas da soja iniciam um movimento orientando-se em direção ao sol, o que resulta em um lapso de tempo, com duração variável e ainda não perfeitamente conhecido, em que as folhas se encontram em posição muito próxima ao paralelismo com o solo. Enquanto perdurar esta situação de quase paralelismo das folhas da soja com o solo, as camadas de folhas superiores exercerão o máximo efeito guarda-chuva (”barreira física”) contra a penetração de gotas da pulverização no interior do dossel da cultura, resultando na quase totalidade das gotas depositadas nas folhas da parte superior das plantas e em reduzido efeito de controle nas demais folhas das plantas. É bom lembrar que grande parte das aplicações de inseticidas e fungicidas são realizadas quando o índice de área foliar da cultura se encontra acima de 3,0 ou 4,0, podendo chegar a 6,0 ou mais, o que acentua a dificuldade para depositar gotas dos produtos pulverizados nas folhas dos estratos inferiores das plantas de soja. Pensa-se que enquanto persistem estas condições (folhas paralelas ao solo) algum tipo de auxílio à barra de pulverização possa ser de grande valor para aumentar a eficácia das pulverizações, inclusive com volumes de calda reduzidos e gotas finas ou muito finas, enquanto as condições atmosféricas permitirem o uso destas.
No que diz respeito às regulagens e à calibração dos pulverizadores, é muito importante que operadores e técnicos sejam treinados para realizar estas operações de maneira adequada, procurando evitar erros que possam comprometer a aplicação e viabilidade do controle fitossanitário”. Isso parece ser óbvio demais e por este motivo, não raro, acaba passando despercebido, conforme mostram alguns trabalhos realizados nas principais regiões produtoras de soja do Brasil.
Tamanho de gotas
Tão importante quanto saber o que e quando utilizar produtos químicos nos campos, é ter conhecimento de como aplicá-los de forma eficiente e segura. Saber o tamanho das gotas e o volume a ser distribuído pelos pulverizadores são informações de fundamental importância. Uma aplicação de fungicida ou de inseticida, em virtude do estádio de desenvolvimento de uma cultura, requer também alterações importantes nas máquinas aplicadoras. Ficar atento a fatores como a temperatura, a umidade e o vento também são indispensáveis para uma aplicação eficiente. ”Solução única não existe. Cada problema exige uma solução específica”, comenta.
Tamanho das gostas é base para o sucesso da pulverização
Boller explica que a redução do tamanho das gotas, por exemplo, permite um aumento da cobertura do alvo, porém há um aumento do risco de perda das gotas por deriva e por evaporação. Por outro lado, quando há necessidade de controlar a deriva, utilizam-se gotas maiores e isso resulta em menor densidade de cobertura do alvo, o que deve ser compensado por aumentos de volumes de calda por unidade de área.
”Quanto menor o tamanho das gotas geradas maior o número de gotas disponíveis para uma determinada quantidade de líquido, ampliando-se assim a probabilidade de se atingir os alvos. É por esta razão que as aplicações com gotas mais finas apresentam maior potencial de cobertura dos alvos, desde que utilizadas em condições climáticas e operacionais adequadas”.
Atualmente, as gotas produzidas por uma ponta são classificadas como muito finas, finas, médias, grossas e muito grossas (em algumas normas de classificação de pontas existe também a classe extremamente grossa).
”Em praticamente todos os casos as gotas finas e médias tem o efeito melhor e chegam em mais folhas que as grossas. Quanto menor o tamanho das gotas geradas, maior o número de gotas disponíveis para uma determinada quantidade de líquido, ampliando-se assim a probabilidade de se atingir os alvos”, pontua Boller.
De maneira geral, os produtos com maior ação sistêmica quando direcionados ao solo ou às folhas podem ser aplicados com gotas maiores. Para os produtos de contato ou de menor ação sistêmica, o uso de gotas menores e maior volume de calda é necessário, devido a maior dependência desta técnica com relação à cobertura dos alvos. Se o alvo da aplicação inclui a parte interna ou inferior das plantas, como no caso típico de uma aplicação preventiva de fungicidas para a ferrugem da soja, é necessária uma boa penetração da nuvem de gotas e, para tanto, devem ser usadas gotas finas ou muito finas.
Boller alerta ainda para a importância de antecipar a aplicação de fungicidas, que além de facilitar o controle das moléstias, permite uma melhor cobertura das folhas inferiores das plantas-alvo. ”No caso da soja, normalmente as doenças iniciam o seu desenvolvimento nas folhas mais próximas do solo e se a aplicação de fungicida for adiada, a probabilidade das folhas que mais necessitam de proteção serem atingidas por uma pulverização torna-se muito reduzida”.
Perfil do maquinário
Em levantamento realizado pelo programa de avaliação da qualidade de pulverizadores (AQP Dupont Acerta) em cooperativas da região de Passo Fundo, como Cotrijal, Cotrisal, Cooperalfa e Camera, em 882 inspeções, 61% das máquinas apresentavam manômetros inadequados e 39% adequados. Já em 66% das máquinas aplicadoras a distribuição de vazão das pontas estava adequada; 22% aceitável e 12% inadequadas. O mesmo levantamento mostrou ainda que 75% dos pulverizadores são montados aos tratores; 8% tracionados; 13% são tratores que foram adaptados para a pulverização e apenas 4% dos modelos são autopropelidos modernos. Trabalho semelhante, que foi realizado anteriormente na região Norte do Estado pela FAMV/UPF, mostrou que em algumas máquinas a vazão estava adequada, e outras, nos limites toleráveis. Numa avaliação geral, em 54% era necessário substituir todas as pontas; em 10% somente uma ponta e em 36% as pontas estavam adequadas.
O que o mercado oferece
Em termos de maquinário para aplicações em lavouras, a indústria oferece as barras assistidas com cortina de ar. O equipamento possibilita um aumento da deposição de calda nas porções média e inferior das plantas de soja e uma redução significativa da deriva – em média nove vezes. Outra novidade, é que já foi patenteado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um invento (equipamento auxiliar para barra de pulverização) para vencer a barreira física causada pelas folhas superiores sobre as medianas e as inferiores das plantas de soja. Com o auxilio de uma cortina de correntes na barra de pulverização, o mecanismo possibilita a deposição de gotas no interior do dossel da cultura da soja. Estudos já demonstraram que, desde que sejam bem regulados, ambos os equipamentos (barras de pulverização com auxilio de cortinas de ar e de correntes) garantem um controle maior da ferrugem asiática na soja tanto na parte superior como média e inferior da planta. Estes equipamentos permitem ainda a utilização de gotas maiores e, portanto menos suscetíveis á deriva e contaminação do ambiente, com a mesma eficácia apresentada por gotas mais finas sem assistência à barra de pulverização. Por outro lado, estes mecanismos auxiliares permitem a utilização de gotas menores e em compensação volumes mais reduzidos do que aqueles necessários em barras sem assistência.
Para finalizar, Boller apontou alguns que são considerados os erros mais freqüentes em aplicações de fungicidas e inseticidas na cultura da soja, pelo Consórcio Antiferrugem:
Treinamento de operadores (a cada inovação tecnológica incorporada pelas máquinas aplicadoras há necessidade de transferir as informações necessárias para o seu bom uso a quem terá a missão de conduzir estas máquinas no campo). A responsabilidade destas pessoas é muito grande e elas devem ter a sensibilidade para perceber quando uma aplicação está sendo bem conduzida ou não;
Acompanhamento técnico da operação de pulverização (de forma similar ao que se pratica nas empresas prestadoras de serviços de pulverização aeroagrícolas, há necessidade de um maior acompanhamento técnico das pulverizações terrestres, monitorando constantemente as condições do ambiente e conferindo se a pulverização está se depositando adequadamente no alvo onde ela é necessária);
Calibração de pulverizadores convencionais e com sensores eletrônicos (em qualquer equipamento que distribui insumos na lavoura, a correta calibração dos componentes que realizam esta distribuição é de suma importância e tem de ser aferida diariamente ou de acordo com os intervalos recomendados pelo fabricante, no caso de sensores de máquinas que utilizam controladores eletrônicos da pulverização);
Aferição da adequação e do estado de conservação e/ou desgaste das pontas de pulverização (as operações realizadas nos diferentes Programas de Inspeção de Pulverizadores, em grande parte são de extrema simplicidade e devem ser implementadas ao nível de propriedade rural para que os usuários das máquinas aplicadoras tenham uma clara noção da uniformidade ou da desuniformidade da distribuição da calda na lavoura);
Velocidade de deslocamento excessiva das máquinas aplicadoras (o alto custo dos pulverizadores autopropelidos e as inovações tecnológicas que apresentam nas suas barras, de modo geral requerem e permitem que estas máquinas se desloquem no campo a velocidades duas, três e até quatro vezes superiores àquelas que vinham sendo praticadas por pulverizadores tratorizados. Isso pode interferir na dinâmica das gotas da pulverização, aumentar os riscos de perdas por deriva e contaminação do ambiente e também dificultar a sua penetração e depósito no interior do dossel de culturas como a soja);
Dimensionamento inadequado (em propriedades que cultivam grandes áreas, é comum faltar tempo ou máquinas para realizar todas as pulverizações dentro do prazo ideal. Por este motivo, também, é comum a prática do aumento da velocidade de que já foi comentado pode ser prejudicial. Por este motivo deve-se adequar a quantidade e as dimensões das máquinas à capacidade de trabalho - necessidade de pulverizações em ha/h);
Pulverizações em condições atmosféricas inadequadas (a observância das condições atmosféricas limites é de importância inequívoca, sob pena de o produtor desperdiçar seus recursos, uma vez que produtos pulverizados quando a temperatura do ar é excessiva ou a umidade relativa do ar é muito baixa ou durante a ocorrência de vento excessivo não serão capazes de expressar todo o seu potencial de controle das pragas);
Misturas em tanque inadequadas (a prática de misturas de diversos produtos fitossanitários em uma única pulverização visa a economia de tempo e a redução de custos, porém a sua prática indiscriminada pode ser prejudicial, especialmente quando se misturam produtos de naturezas muito diferentes, que podem apresentar incompatibilidades químicas entre si e até mesmo originar danos de fitotoxicidade na cultura a ser protegida);
Enfim, a observação de todas as indicações oriúndas da tecnologia de aplicação pode contribuir decisivamente para o sucesso da proteção das plantas cultivadas contra a ação indesejável de plantas daninhas, pragas e doenças, além de ser uma ferramenta de grande valor para os produtores rurais na busca de uma produção mais sustentável, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.
Publicado na Revista Plantio Direto, edição 131, setembro/outubro de 2012.