Aconteceu no dia 20 de julho, no Centro de Eventos da Universidade de Passo Fundo, em Passo Fundo/RS, a primeira edição do “Encontro Técnico: Boas Práticas em Tecnologia de Aplicação”. O evento foi uma promoção conjunta da Plantec A.P. e Revista Plantio Direto & Tecnologia Agrícola e contou com o patrocínio da Syngenta, PDA/Sol Fertilizantes, Pentair, e apoio da Monitora e Agrofly Aviação Agrícola. A proposta do evento foi discutir aspectos referentes a aplicação de defensivos agrícolas em culturas anuais, com foco na qualidade da aplicação e a redução do desperdício e contaminação do ambiente. O Encontro contou com a participação de mais de 300 participantes entre agricultores, profissionais da assistência técnica e estudantes. Iniciando a programação, foram apresentados os resultados do questionário online anônimo, realizado durante as semanas que antecederam o evento. O questionário apresentava perguntas relacionadas, de forma geral, às ações durante a pulverização em lavouras, e também, fez uma consulta específica quanto aos parâmetros de aplicação de cada tipo de defensivo (fungicidas, herbicidas e inseticidas). Os resultados não visavam uma resposta com rigor estatístico, mas sim, realizar um levantamento informal do que os produtores e assistentes técni- Encontro Técnico: Boas Práticas em Tecnologia de Aplicação Em debate as práticas a campo no momento de aplicar herbicidas, inseticidas e fungicidas
Aconteceu Mais de 300 agricultores e profissionais de assistência técnica participaram das discussões sobre boas práticas em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.
cos realizam nessa operação a campo. Os resultados do levantamento foram apresentados pelo Engenheiro Agrônomo Fabiano Paganella. O levantamento obteve cerca de 280 respostas ao questionário, sendo que algumas perguntas possibilitavam múltiplas repostas. Do total de respondentes, 258 afirmaram realizar pulverização tratorizada, enquanto que 21 afirmaram utilizar pulverização aérea, ou seja, alguns utilizam os dois tipos de pulverização em suas áreas. Em relação ao tipo de máquina para realizar a pulverização, a maior parte afirmou utilizar máquina autopropelida. Em segundo lugar ficou o pulverizador tracionado e, em terceiro lugar, o pulverizador montado ao trator. Mais de 50% dos respondentes realizam a aplicação de fungicida e inseticida em conjunto, e quase 40% afirmaram realizar aplicação de fungicidas, inseticidas e herbicidas em conjunto. Entre os que responderam ao questionário, aproximadamente 65% afirmaram utilizar fertilizantes foliares na aplicação juntamente com outros defensivos. Além disso, 70% afirmaram nunca ter feito análise química da água utilizada na pulverização. Com base nas principais respostas do questionário, percebeu-se que o volume de calda mais utilizado, independentemente do tipo de defensivo, é entre 100 e 125 L/ha. No caso dos inseticidas e fungicidas, as respostas mais expressivas trouxeram como re- Qual tipo de pulverizador você utiliza? sultado o uso de pontas “cone vazio” e gotas finas. Já para os herbicidas foram as pontas “plano simples”, com gotas de tamanho médio. De acordo com as respostas ao questionário, os adjuvantes mais utilizados para inseticidas e herbicidas são os óleos minerais, surfactantes e redutores de pH, enquanto que para os fungicidas os adjuvantes mais populares foram os óleos minerais, os óleos vegetais e os surfactantes. Após a apresentação inicial dos resultados sobre as práticas de tecnologia de aplicação a campo, acontece a palestra do Dr. Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, com o tema: “Boas Práticas em Tecnologia de Aplicação no Controle de Pragas”. O palestrante abordou inicialmente a questão da cobertura e o tamanho das gotas, e a importância dessa cobertura. Para ele são vários fatores a se considerar para definir o volume de calda a ser utilizado, entre eles o alvo biológico, a cultura, a maneira de aplicar e o horário. O pesquisador mostrou alguns resultados de pesquisa relacionados com a tecnologia de aplicação no controle de lagartas como Spodoptera e Falsa-Medideira, demonstrando as diferenças no controle que ocorrem quando há variação no volume de calda. O professor comentou também a respeito do Tamanduá da Soja, Você faz aplicação de fertilizantes foliares em conjunto com defensivos? Quantas vezes o operador do equipamento de pulverização recebeu qualificação, cursos e/ou treinamentos? e como o comportamento do inseto afeta a qualidade da aplicação. Por fim, Adriano Melo tratou da degradação do produto quando o pH não é o ideal apontando quais adjuvantes podem auxiliar no momento da aplicação.
Na sequência da programação, as boas práticas em tecnologia de aplicação no controle de doenças foi o assunto abordado pelo Engenheiro Agrônomo Fernando Martins, da Cotrijal, de Não-Me-Toque. O agrônomo falou a respeito das diferenças registradas na tecnologia de aplicação no controle das diversas doenças. Apresentou os fatores que interferem e como a cobertura tem especial importância na aplicação de fungicidas, mas de forma mais específica no controle de doenças foliares. Também abordou a dificuldade de se fazer o produto chegar ao terço inferior das plantas após o fechamento das entrelinhas, sendo esta dificuldade um fator de grande preocupação dos agricultores e técnicos. Finalizando a programação da parte da manhã, o pesquisador da CCGL Tec, Dr. Mário Bianchi, tratou do tema “Boas Práticas em Tecnologia de Aplicação no Controle de Plantas Daninhas”. Bianchi iniciou apresentando a fisiologia da absorção do herbicida nas diferentes espécies e em diferentes estádios. O que, segundo o pesquisador, é um problema para aplicação de herbicidas, pois a eficácia nem sempre é a mesma. Bianchi também apresentou algumas variáveis que podem interferir na qualidade da aplicação, tais como: volume de calda, tipo de ponta, os adjuvantes e as condições climáticas, essenciais para um bom efeito do herbicida no campo. Quadro 1. Resumo das principais respostas do questionário relacionadas aos parâmetros de aplicação. OM = Óleo mineral, S = Surfactante (espalhante), RpH = Redutor de pH, OV = Óleo vegetal.
Finalizando a parte da manhã do evento, foram feitas algumas perguntas aos palestrantes. Foi discutido que o controle de percevejo exige que se consiga o momento correto de aplicação, em virtude do comportamento da praga e o seu ciclo, focando aplicações antes do fechamento da entrelinha, e evitar que ocorram estádios diferentes da praga em um mesmo momento para que não haja reinfestação. Foi feita uma pergunta em relação ao custo na tecnologia de aplicação, considerando a realidade econômica das culturas hoje, e se comentou que o nível de dano econômico que se tinha como referência para diversas pragas deveria ser reavaliado. Além disso, deve-se ter em mente que economizar em uma aplicação feita de forma cuidadosa e seguindo as indicações pode ter efeito na resistência de espécies, levando a um custo muito mais alto no futuro para controlá-las. Uma das perguntas feitas foi a respeito da aplicação noturna e a interferência que isso tem na absorção pelos estômatos. Os pesquisadores comentaram que o contexto tem que ser analisado para chegar a uma conclusão correta, e que depende muitas vezes do próprio produto necessitar mais de luz ou não para agir. Em relação aos estômatos, foi dito que a pesquisa demonstra que uma quantidade insignificante de produto é absorvido via estômato, e portanto não se deve levar tanto em consideração o horário de abertura e fechamento de estômatos na pulverização. Iniciando as atividades da tarde, o Dr. Ulisses Antuniassi, professor da UNESP, em Botucatu, abordou o assunto de boas práticas em aplicação aérea de defensivos. Inicialmente ele comentou sobre o porquê de a sociedade de forma geral exigir cada vez mais restrições e até a proibição do uso de aeronaves para aplicação. O pesquisador abordou pontos que devem ser levados em consideração para que não ocorram problemas na aplicação aérea e consequente perda dessa ferramenta. Ele comentou também sobre a legislação atual, e o que deveria ser revisto nela, assim como o programa de certificação de empresas de aviação feita pelas universidades que trabalham com o tema de aviação agrícola. Após a palestra do professor Ulisses, o engenheiro agrônomo Laércio Hoffmann e a equipe da Syngenta realizaram uma apresentação sobre o Projeto Manejo Mesa de debates da parte da manhã, da esquerda para direita: Fernando Martins (Cotrijal), Fabiano Paganella (Plantec A.P.), Walter Boller (FAMV/UPF), Adriano Arrué Melo (UFSM) e Mário Bianchi (CCGL Tec). No debate da parte da tarde participaram Walter Boller (FAMV/UPF), Fabrício Povh (Fundação ABC), Fabiano Paganella (Plantec A.P.), Laércio Haoffmann (Syngenta), Ulisses Rocha Antuniassi (Unesp/Botucatu) e Adriano Arrué Melo (UFSM). Consciente, que consiste em adotar técnicas e atitudes nos segmentos da cadeia agrícola para evitar o aparecimento de doenças resistentes aos mecanismos de ação fungicida que existem hoje, considerando que não se tem notícia de um novo mecanismo de ação nos próximos tempos. A última palestra do dia foi conduzida pelo Dr. Fabrício Povh, da Fundação ABC, em Castro. Ele abordou o assunto da aplicação tratorizada de alta capacidade operacional. Uma das questões levantadas pelo pesquisador foi a relação entre a diminuição da vazão na pulverização para aumentar o rendimento da máquina, as consequências que isso pode trazer, e os problemas que causam o baixo rendimento da máquina, em especial o tempo de abastecimento que pode vir a ser muito grande. Ele também comentou sobre alguns resultados de ensaios comparando diferentes tamanhos de gota, e comentando que de forma geral, a gota fina normalmente não é superior a gota média em resultados de controle e produtividade. Por fim, ele destacou a importância de se ter bem dimensionado o maquinário utilizado para a aplicação para evitar alterar fatores que possam diminuir a eficácia. Ao fim do evento, houve um sorteio com os participantes, realizado pela Pentair, de um conjunto de pontas Hypro 3D para pulverizadores. O ganhador do sorteio foi Carlos André Kiesel. O evento encerrou com uma uma sessão de discussão com os palestrantes. Uma das perguntas realizadas pelos participantes foi relacionada com o melhor momento para aplicação de paraquat. Foi respondido que de forma geral o melhor momento é quando há menor presença de luz, em função da velocidade do efeito do paraquat. Também foi feita uma pergunta em relação ao volume de calda utilizada em aeronaves. Um volume de 30 L/ha, por exemplo, considerado baixo em aplicações terrestres, é considerado alto em aplicações aéreas, em função da velocidade de aplicação e distância do solo, ou seja, não se deve comparar as duas situações. Foi feita também uma pergunta relacionada com a meia vida do produto na calda com pH inadequado. De forma geral, em pH desfavorável, a degradação do produto demora até algumas horas para acontecer. Portanto, se a aplicação for feita imediatamente, a degradação do produto tende a ser mínima.