Bruna San Martin Rolim Ribeiro; Alencar Junior Zanon; Alexandre F. Alves; Nereu Augusto Streck; Eduardo Daniel Friedrich; Isabela Bulegon Pilecco; Simone Puntel; Luiz Felipe Vieira Sarmento; Ijésica Luana Streck; Victória Brittes Inklman; Luis Fernando R. de Oliveira; Guilhermi Penteado Simões; Kaleb Emanoel Ferreira do Amaral; Christian Savenhago
1 Introdução
O Rio Grande do Sul (RS) é responsável por 16% da produção brasileira de milho (CONAB, 2020).
Neste estado, os principais cultivos de verão são soja, arroz e milho (65%, 11% e 9% da área total das terras cultivadas, respectivamente). Nos últimos dez anos, o milho perdeu parte de sua área para o cultivo da soja no Rio Grande do Sul. No entanto, o milho é uma cultura estratégica na composição de vários sistemas de cultivo, com importante participação na rotação de culturas no sistema de plantio direto (CONTINI et al., 2019).
Para aumentar a produtividade de uma cultura, no caso o milho, é necessário conhecer o potencial produtivo, lacuna de produtividade e quais fatores estão limitando.
O ambiente e a genética da planta definem o potencial de produtividade (PP) de uma cultura, sendo que, a quantidade de radiação solar incidente, quantidade de água disponível, concentração de CO2 atmosférico, temperatura do ar e características genéticas de uma cultivar determinam o máximo que a cultura pode produzir. Fatores como incidência de pragas, doenças, fornecimento insuficiente de água e nutrientes são limitantes da produtividade (EVANS, 1993).
Para uma estimativa mais robusta, deve-se levar em consideração as particularidades de cada região em estudo. Diante disto a Equipe FieldCrops buscou estimar o potencial produtivo e a lacuna de produtividade nos sistemas de produção predominantes no Rio Grande do Sul.
2. Materiais e Métodos
Neste estudo, o Rio Grande do Sul foi dividido em três grandes sistemas de produção (descritos na figura 1) que incluem a cultura do milho. Para a estimativa dos potenciais, foi demarcado um raio de 100 km ao redor de estações meteorológicas a fim de representar a área de colheita de milho no RS. Sendo assim, os nove círculos na figura 2, representam 96% da área de produção de milho no RS.
Assim, através da divisão baseada em sistemas e utilização de um modelo matemático baseado em processos da cultura do milho (Hybrid Maize, versão 2019), calibrado com cultivares utilizadas no sul do Brasil, foi possível estimar o potencial de produtividade da cultura do milho de forma mais realista para o RS.
3. Resultados e Discussão
O maior potencial de produtividade (PP) no RS é no sistema 2, com 17,9 ton/ha (Figura 3A). O uso de cultivares de ciclo superprecoce, aliado à semeadura em final de setembro, permite que o período de maior exigência da planta ocorra no mês de janeiro, quando ocorre maior disponibilidade de radiação solar. Além disso, a temperatura média do ar mais baixa da região possibilita condições favoráveis para o desenvolvimento do milho. Com temperaturas noturnas do ar mais baixas, há maior ganho em fotossíntese líquida devido ao menor gasto de energia no processo de respiração. O sistema 3 tem o segundo maior potencial de produtividade, com 16,2 ton/ ha, e o sistema 1, o menor potencial, com 13,6 ton/ha, sendo o ciclo de desenvolvimento das cultivares semeadas em cada sistema o fator principal responsável por estas diferenças (Figura 3A). O número de dias a mais no ciclo total em que a cultura fica exposta no sistema 3 é maior do que no sistema 1, com isso, o período de enchimento de grãos é prolongado (SANGOI et al., 2002).
O potencial de produtividade limitado pela água (PPa) é de 11,4; 15,2 e 14,2 ton/ha nos sistemas 1, 2 e 3, respectivamente (Figura 3B). O sistema 2 apresenta maior quantidade e melhor distribuição de chuva em uma média de 15 anos agrícolas, além de possuir como solo predominante os latossolos, que são naturalmente bem estruturados e profundos, com boa capacidade de armazenamento de água (STRECK et al., 2008). A produtividade média (PM) é a média dos últimos 15 anos de cada município que compõem a área marcada em volta das estações (2004 – 2019).
O sistema 2 apresenta maior PM, chegando a 8,6 ton/ha, seguido pelo sistema 1, com 7,6 ton/ha, enquanto a menor produtividade média é observada no sistema 3, com 4,0 ton/ha (Figura 3C).
Conhecendo os valores de Pp, PPa e PM pode-se calcular as lacunas de produtividade ocasionada pela água e ocasionada pelo manejo em cada sistema (Figura 4).
A maior lacuna de produtividade ocasionada pelo manejo (Lm = Pp- PM) é encontrada no sistema 3, que apresenta as menores produtividades médias nos últimos 15 anos agrícolas (Figura 4A). Para os sistemas 1, 2 e 3, a lacuna de água (La = PPa - PM) (Figura 4B) de 16,2, 14,8 e 12,2%, respectivamente, é provocada pela baixa quantidade ou distribuição irregular de água durante o ciclo de desenvolvimento.
A lacuna de água (La) nos sistemas de produção é considerada pequena quando comparada a lacuna de manejo (Lm), uma vez que as datas de semeadura utilizadas para as estimativas estão de acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) da cultura.). Para os sistemas 1, 2 e 3, a lacuna de manejo (Lm) (Figura 4A) de 32,8, 44,4 e 71,2%. Estes resultados indicam que com apenas boas práticas de manejo é possível diminuir a lacunas de produtividade de milho no Rio Grande do Sul.