Nossa pegada ecológica
No início da década de 1990 William Rees e Mathis Wackernagel (um professor universitário canadense e um ambientalista suíço, respectivamente) elaboraram uma metodologia para medir em que grau a humanidade está usando os recursos da natureza com mais rapidez do que eles podem se regenerar. Esta metodologia foi batizada de Ecological Footprint (Pegada Ecológica). De acordo com o conceito, a Pegada Ecológica de um país, de uma cidade, de uma empresa ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços presentes em determinados estilos de vida. É uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território que uma pessoa, uma empresa ou toda a sociedade ”utiliza”, em média, para se sustentar.
Em 2010 a Revista Plantio Direto completará 20 anos. Data simbólica, considerando o desafio que é conduzir um veículo de comunicação de linha editorial técnica. Nesse período conquistamos um público seleto formado por agricultores, profissionais de assistência técnica, empresas, associações, cooperativas, instituições de pesquisa e ensino.
Nossos assinantes, em sua maioria, são agricultores e engenheiros-agrônomos preocupados em obter informação e conhecimento para conduzir sua atividade com eficiência e eficácia. Todos são profissionais comprometidos que nos últimos anos reduziram pela metade o consumo de combustíveis fósseis, que dobraram produtividade por hectare, que reduziram drasticamente a erosão dos solos, que preservaram os mananciais hídricos, que deixaram de emitir e, melhor ainda, seqüestram dióxido de carbono presente na atmosfera em suas lavouras. Estão, através dessas ações, minimizando sua pegada ecológica.
Nossos parceiros, empresas e instituições, também realizam importantes trabalhos na área ambiental e social, investindo na qualidade de vida de suas comunidades, na preservação do meio ambiente e recursos naturais, sempre engajados em projetos que visem reduzir os efeitos de nossa passagem pelo Planeta.
Na verdade, estamos todos envolvidos em uma causa nobre e com uma tarefa da maior importância: a produção de alimentos de forma sustentável. Além disso, estamos engajados em um movimento que, sem fanatismos e ideologias ultrapassadas, faz muito pela natureza e pela sociedade.
Para homenagear nossos parceiros de caminhada e estarmos alinhados com todos os benefícios que sua forma de produzir trouxe à sociedade, a Revista Plantio Direto a partir dessa edição também estará adotando medidas para amenizar sua pegada ecológica. Utilizaremos na impressão da Revista papel reciclado, eliminaremos a cola e a termolaminação do acabamento e o uso do plástico na embalagem para remessa postal.
Ao considerar que o papel sofre clareamento químico, um dos processos mais poluentes na indústria, já teríamos um bom motivo para buscar alternativas. Mas, além disso, descobrimos que na elaboração do papel reciclado se reduz em 74 % os poluentes liberados no ar e em 35 % os despejados na água. Que também há uma redução considerável no consumo de energia e água se comparado à fabricação tradicional. Uma tonelada de papel novo necessita de 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Uma tonelada de papel reciclado utiliza 2 % desse volume de água e, em média, 50 % da energia. Para cada 28 toneladas de papel reciclado um hectare de floresta deixa de ser cortado. Além disso, a reciclagem de uma tonelada de papel evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.
Ao contrário do que se possa pensar, essa mudança elevará os custos de produção da Revista, mas é um investimento necessário e justo. Será uma das ações programadas para 2010, quando completamos 20 anos de existência. Esperamos que todos os nossos parceiros saibam avaliar que embora simples, esta é uma ação importante. Talvez estejamos perdendo em beleza, isso depende dos olhos de quem vê. Mas em momento algum estaremos perdendo em conteúdo, em seriedade, em comprometimento e em credibilidade, valores que regem nossa atuação há 20 anos.
Boa leitura.
Juliane Borges